Heavy Metal Soul
Há muitos anos atrás conheci um cara na escola, devia ter uns 13 anos de idade na época. Ele me levou na casa dele pra brincarmos e me mostrou a coleção de discos de vinil do irmão mais velho dele, era uma coleção do Iron Maiden, ele colocou uma faixa pra tocar e eu fiquei muito sem reação, era algo novo e estranho até então, mas nem imaginava que aquela banda seria a percussora de uma nova fase de minha vida. Não sei dizer se na época gostei ou não do som que ele me mostrou ( The Number of the Beast ), mas mesmo assim mexeu comigo. Após 2 anos mais ou menos me mudei de escola e conheci uma galera que era super fã de uma rádio chamada 89 a Rádio Rock, era um sucesso na época, só pra roqueiros mesmo, tocavam vários estilos das ramificações do mundo do Rock. Naquele tempo, quem estava explodindo nas paradas de sucesso era Kurt Cobain com sua banda Nirvana, eles estavam no seu auge, e Kurt ainda era vivo, não menos doido, mas vivo. Com essa turma que só falava de estilos de bandas de rock e de rock como um todo fui sendo atraído por esse universo que era muito diferente, comecei então a ouvir a rádio em casa, até que um dia ouvi novamente Iron Maiden, olha, foi uma coisa incrível, eu sabia que aquela banda era a banda que seria minha raiz como roqueiro e principalmente estava decidido a me tornar um Metaleiro. Logo depois conheci, Metallica, Pearl Jeam, Black Sabbat, Rush, Vision Divine, Megadeth, White Snake, Deep Purple, etc. Foi algo que mudou minha forma de pensar sobre estilos musicais, o que me fazia ter uma visão diferente dos outros estilos musicais era a forma que o rock e os roqueiros se relacionavam com o mundo, o rock é algo que mexe demais com a alma da pessoa, é um estado de espírito, de emoção, sentimento, dor, alegria, etc. Falar de rock é abrir um leque imenso de assuntos, pois mesmo que existam tantas ramificações dentro do rock, todos parecem falar a mesma língua e se entendem como uno. Após alguns anos comecei a andar com uma galera do estilo que havia escolhido pra traçar a minha “personalidade” e “tribo”, conheci a galera que toca metal, fala metal, pensa metal e faz metal acontecer em grande estilo. Foi então que comecei a distinguir sonoramente e musicalmente as diferenças musicais, com certeza isso me ajudou em muito a analisar outros estilos musicais e ser mais fiel ainda ao bom rock & roll. Pedi uma bateria pros meus pais de aniversário e ganhei um instrumento menos barulhento, um teclado, foi onde comecei a estudar música de forma mais profunda, antes meus ouvidos tinham uma categoria diferencia, após estudar música fiquei bem mais detalhista e chato com muitas coisas, percebi que não era qualquer música que me agradava, pois ouvia e sabia o que estava certo ou errado, graças aos anos em estúdios de gravação, moto-clubes, casas de amigos que ensaiavam e etc. Nos dias de hoje se estou deprimido escuto Gothic Metal e começo a fazer o meu cérebro visualizar tudo o que meu coração está sentindo, uso aquela trilha sonora da minha tristeza e dor e faço minha mente buscar uma forma de sair dali sem muitos danos, quando estou querendo matar um de tanta raiva ou descontrole emocional, escuto bem alto um metal pesado ou “bate cabeça”, grito e faço minha mente visualizar que estou destruindo tudo que me frustra, reprime ou irrita pra que possa destruir os sentimentos negativos dentro de mim, quando estou normal escuto o que estiver tocando e viajo nas letras. Gosto de sentir o que as notas bem tocadas e elaboradas do rock em especial do Metal fazem com cada célula de nosso corpo, é estranho como nosso corpo reage tão forte ao som das melodias de uma guitarra, se agita ao solo de uma bateria e fica frenético, como nosso cérebro se dança com um baixo se exibindo, enfim, gosto disso, gosto dessa sensação de sentir a vida que há no meu corpo reagir ao som de Paikiller, Be Quick or Be Dead, como o coração e mente trabalham ao ouvir Nothing Else Matters, The Day That Never Comes. Como é bom estar ao lado que alguém especial e ouvir aquelas melodias feitas por mestres do Metal, como é bom refletir sobre cada letra escrita por mentes que querem dizer milhares de coisas e com isso dizem bilhões de coisas que se encaixam perfeitamente com o que cada ouvinte quer ou deseja ouvir. Como é bom ser roqueiro, é apaixonante, não brigamos entre nós pois somos iguais e levamos isso á sério, temos nossas escolhas, por mais que dissemos não curtir tão estilo de rock, uma coisa é certa, “em algum momento da sua vida, o rock fez parte de você”. Não importa o seu estilo, o que importa é sentir o que se ouve.
Alexandre Lima – Metaleiro desde 1990
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