Feliz Liberdade
É uma tarde como qualquer outra, faz frio, garoa e o Sol esboça um leve sorriso. Eu estou deitado, olhando para cima, apenas isso. É um dia como qualquer outro, carros, barulho, pessoas indo e vindo. Eu estou deitado em pleno silêncio. Há várias pessoas por perto, posso escutar as palavras não faladas. São risos de momentos alegres, choros contidos e guardados há muito tempo. Sem entender, continuo deitado. Afinal foi um fim de espetáculo tipicamente Sheakespereano, a lá Romeu e Julieta. Não há aplausos, só silêncio e olhares vazios e tristes. Ouve-se pássaros cantando, anunciando a chegada de uma nova vida, pois á noite as corujas anunciarão o fim de outras vidas. Eu quero rir do que vejo, mas não posso, tenho que me manter neutro e sem expressão até a hora dos aplausos, ou até que se fechem as cortinas. Escuto comentários sobre o espetáculo. Estou feliz, consegui finalmente chegar onde queria. No último ato da peça sou retirado, não posso ser retirado antes dos convidados, sou o anfitrião, o protagonista. Lá fora crianças brincam felizes sua juventude, em meio um mundo caótico. Agora o silêncio, os agradecimentos finais e pronto. Seguro firme a mão do meu diretor, partimos para uma outra jornada, ele abre suas asas e partimos para a luz que nos guia.
Alexandre Lima
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