19 maio 2010

Viagem á Lua

Viagem à Lua
Certo dia na escola a professora de Drica pediu pra que cada aluno contasse uma história de sua, algo que achasse legal pra contar, algo engraçado, algo feliz, algo que traz boas lembranças. Todos se sentaram em roda no meio da sala. Um por vez todos começaram a contar suas histórias, mas Drica se desesperou e ficou triste porque não se lembrava de nada que pudesse ser legal para contar naquele dia. Quando chegou sua vez, todos prestaram atenção nela, já haviam sido contadas belas e divertidas histórias pelos seus amigos, até as cadeiras e mesas prestaram a maior atenção e se emocionaram muito com o que ouviram. Drica suspirou fundo, tentou lembrar de algo especial, mas nada lhe vinha na mente.
Estava vazia, tamanha era a preocupação em contar algo legal, acabou por não conseguir se lembrar de nada, o branco tomou conta da cabeça dela como se fosse uma touca de inverno, cobrindo tudo, não deixando nenhuma idéia ou pensamento passar.
Ela olhou para os colegas e começou a contar do dia que queria muito ir até a lua, ela e seu irmão, pegaram umas caixas de papelão que achavam perdidas e as levava pra casa, juntaram latas de óleo, garrafas de refrigerante e até pneus velhos. Todos aqueles materiais ficaram muito felizes ao serem reaproveitados e utilizados de novo.
- Ninguém se lembrava mais da gente. Reclamou uma caixa de sapatos velha.
- Que bom que você vão nos usar pra chegar à lua. Quero muito conhecer a lua. Disse uma lata de óleo.
- Será que a lua é de queijo mesmo? Perguntou o pneu, que de tão velho já estava carequinha.
As crianças todos os dias depois da escola sempre iam atrás de coisas pra construir sua nave pra ir pra lua. Depois de muitas semanas construindo, finalmente terminaram. Pegaram o óleo restante que retiraram das latas quando elas iam ao banheiro de noite e usaram como combustível.
10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1. Fogo. Disse Drica para o irmão que se apertava no meio de tanta coisa que eles queriam levar na viagem.
O foguete levantou vôo e partiu rumo à lua. Levando com ele os primeiros irmãos brasileiros a irem numa viagem espacial. Com eles foram à caixa de fósforos que estava preocupada com as turbinas do foguete que pegavam fogo bem perto dela. O Pimpo, o ursinho de pelúcia que protege o sono de Leo. A dona caneca que levava a água que se tremia toda com o balanço do foguete. E mais algumas coisas como a velha máquina de tirar fotos, sempre que ela olhava algo bonito ela piscava e depois a imagem ficava guardada no seu coração.
Chegando à lua eles foram surpreendidos por alguns Ets que estavam ali de passagem, como as crianças haviam esquecido a comida o ET deu alguns lanches pra eles com geléia de amora. O ET pediu que eles não demorassem na missão deles que eles tinham lição de casa pra fazer.
Depois de explorarem a lua, eles resolveram voltar. Quando estavam quase pousando o combustível acabou, a nave começou a cair muito rápido e meteoros de gelo começaram a cair do céu e atingiram a nave. Eles tiveram que fazer um pouso de emergência, mas graças ao treinamento dos irmãos tudo correu bem.
Foi uma viagem e tanto.
Essa foi a história que Drica contou. Ficou triste, pois achou que essa não era uma história legal de se contar.
A sala estava toda em silêncio, apenas prestando atenção na Drica, uma das cadeiras, a mais medrosa se escondeu atrás do armário com medo de ver o foguete cair.
Todos ficaram algum tempo em silêncio e depois começaram a bater palmas. Drica ficou toda vermelha de vergonha e não sabia o que fazer. Foi então que ela descobriu que na verdade as aventuras que ela passava com o irmão eram as melhores histórias pra se ouvir. E foi então que a maior de todas as histórias na vida desses irmãos começou.

Alesandre Lima

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