19 maio 2010

O Caso do Carrinho Fujão

Era uma tarde bem ensolarada quando Drica e Leo brincavam no quintal de casa perto da dona jabuticabeira que adora fazer uma sombrinha pra crianças.
Drica estava costurando umas roupas pra suas bonecas que enquanto esperavam viam uma emocionante corrida de carros ali perto. A dona agulha que adorava remendar as pessoas dizia que já era hora de Drica comprar tecidos novos pra suas bonecas, ela adorava ficar de papo furado enquanto trabalhava. Drica dizia que as roupas velhas tinham um valor sentimental pras bonecas, e que não poderia simplesmente se desfazer delas assim.
- Olha, a senhora já está velha e vive me furando, já pensou se eu te jogo fora só porque é velha? Disse Drica com uma cara fechada e brava.
Naquele momento a dona agulha parou de falar e trabalhou muito pra esquecer aquele assunto.
Leo estava com todos os seus carrinhos na sua pista que ele mesmo fizera com ajuda das caixas de fósforos vazias. Carros vermelhos, verdes, azuis, amarelos, várias cores, modelos e formatos, carros, motos, caminhões e até um avião feito de lata de refrigerante tinha, mas nenhum era tão grande quanto à locomotiva feita com as latas de óleo usadas, sempre as latas eram esvaziadas Leo pedia pro seu pai abrir elas e bater com o martelo nas partes que poderiam machucar a mão dele. E então se ouvia os gritos na garagem.
- Eu sou forte, eu sou poderoso, eu amasso, eu dobro, eu quebro, eu bato, eu arrumo. Era o que dizia o martelo todo imponente a cada cabeçada que ele dava na lata de óleo que mudava e ficava mais bonita e segura pra se brincar.
Leo colocou mais uma vez todos a postos no inicio da pista, pegou sua bandeira quadriculada que era a camisa velha do pai e deu a largada, todos saíram correndo o mais rápido possível.
- Eu vou ganhar, porque sou a mais leve de todas. Disse a moto.
- Mas você não sabe voar. Disse o avião.
Todos estavam dando o seu melhor pra ver quem chegava à frente, era uma competição difícil.
Até que a uma grande criatura resolveu passar por ali pra estender a roupa no varal que por sinal ajudava o avião a ser mais rápido. Os pregadores riam ao ver toda aquela bagunça, mas a grande criatura sem querer acabou chutando um dos carrinhos pra debaixo de uma pedra que ficava em cima da raiz da dona jabuticabeira. Ninguém viu o acidente. Com o tombo ele acabou enchendo a boca de terra e não conseguia falar, e ficou entalado sem poder se mexer direito.
Quando a corrida terminou, todos foram voltando pra suas garagens, menos o carrinho amarelo que era um modelo esportivo muito bonito e rápido. Leo começou a procurar pelo seu amigo, mas nada de encontrar e começou a chorar tamanha a tristeza dele por não achar Bil seu esportivo preferido. Drica ouviu o choro do irmão e foi perguntar o que tinha acontecido, ele mais chorava do que falava e ficava difícil de entender. Drica chamou a mãe pra tentar ajudar, ela trouxe um copo com água pra ele. Depois de se acalmar Leo contou o que aconteceu e voltou a chorar. Todos começaram a procurar.
- Bil, cadê você? Gritou o avião que podia ver tudo do alto.
- Responde, faz um barulho, qualquer coisa. Gritava a moto.
Bil podia ouvir, mas não conseguia responder nem se mexer muito. Numa tentativa heróica ele conseguiu se mover um pouco. Todos estavam procurando quando Drica percebeu que a dona jabuticabeira começou a rir sem parar.
- Não me faça cócegas. E ria a jabuticabeira.
Drica então resolveu olhar pra onde a árvore estava olhando e mexendo. E não era o Bil lá em baixo preso! Ela o soltou e ele voltou feliz pros braços de Leo que deu um bom banho nele e o pos pra dormir na sua garagem.

Alexandre Lima

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