Encontro com o Autor
Desenterrando H. C. Andersen
Já é tarde da noite, eu continuo a cavar sem parar, quero terminar logo isso. Todos os instrumentos e livros estão perto de mim, falta pouco agora. Já posso sentir a madeira bater na pá. Desço e retiro o restante da terra sobre a tampa. Eufórico retiro o corpo dele de dentro do caixão e levo pra cima com um certo esforço. Pego todo meu material e começo a preparar as coisas assim como o feiticeiro me ensinou, começo pelas velas pretas, o cálice e assim começo a traçar os símbolos no chão e com a adaga faço os símbolos no corpo dele. Pego os livros e começo o ritual, despejo o meu sangue na boca dele e pronuncio as palavras do feitiço. Depois de muito tempo começo a perceber que o clima está estranho e sinto coisas acontecendo. De repente o corpo se mexe. Ele volta a vida, sem pensar muito pego umas folhas com textos e mostro pra ele. Ele me olha como quem não entende nada do que acontece, olha tudo ao redor e se espanta com as coisas.
- Quem é você?
- Meu nome é Alexandre, será que o sr. poderia ler esses textos e me dizer se estão bons e no que preciso melhorar?
- Onde eu estou?
- Bom... essa é a parte complicada do negócio. Mister Andersen, você morreu tem uns 200 anos já.
- COMO?!
- Depois te explico isso, pode olhar meus textos? Cara, sou seu maior fã. Adoro seus trabalhos e me tornei contador de estórias graças á suas obras.
Depois de muito ter que explicar e ser xingado e apanhar por ter feito um ritual de necromância e feitiçaria para traze-lo de volta, Andersen foi aos poucos se acalmando. Foi então que tive a brilhante idéia de pegar emprestado umas roupas de um defunto, recém enterrado e colocar no Andersen para que pudéssemos sair. Caminhamos bastante pela cidade e ele estranhava todas aquelas construções e obras, principalmente a falta de pudor das moças quase nuas que desfilavam nas calçadas, bom, demorei um pouco pra faze-lo entender que aquelas garotas eram prostitutas e que ele não poderia ter relações com elas pois morto não deve sentir prazer. Nesse momento me senti tentado em por isso a prova, mas com uma forcinha eu deixei isso de lado e segui com ele na nossa excursão pelos bairros dinamarqueses. Depois de ler minhas estórias ele disse que eram interessantes e que tinha algo de Andresen naquela escrita. Depois de uma longa conversa já voltando pro cemitério ele me fez entender que na verdade cada escritor tem seu próprio mundo e jeito de ser e de escrever, vendo tudo o que relatei e analisando o que eu fiz com ele e a forma como agi, ele me fez perceber que meu estilo é voltado pro cômico, e que eu deveria apostar nisso. Mas o mais importante que ele me disse foi.
- Jamais volte a me desenterrar, procure minhas biografias nas livrarias, sebos ou no raio que o parta. Agora me deixe descansar em paz.
E foi assim que aconteceu o meu encontro com um dos meus escritores favoritos. Peguei minha pá e parti para Inglaterra, tinha que descobrir onde enterraram Shakespeare.
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